André não entendia o porquê de sua amizade interferir no seu não relacionamento com Júlia. Ele gostava dela. Gostava dela como jamais gostara de alguém antes. Os dois tinham uma ligação muito forte, entretanto os amigos de ambos os alertavam para esse quesito: “Ele é muito teu amigo!”; “Ela é muito tua amiga!”, “Não vai dar certo!”. Aquilo entristecia André, ao mesmo tempo se sentia tão próximo e tão distante de Júlia. Até o dia em que ele conversou com Ana, sua irmã mais nova. Já estava cansado dos amigos dizerem não, que, inconscientemente procurou sua irmã na esperança que ela lhe desse a alternativa que queria ouvir. Deu certo.
Ana lhe disse tudo que queria realmente ouvir. Ele estava convicto. No próximo encontro falaria com Júlia e abriria com ela o que estava guardando há tanto tempo. De noite, em seu quarto, mal conseguiu dormir imaginando a cena do encontro. Em pensamento fortalecia sua confiança: “Vou falar com ela! Quem disse que amizade é problema? Desde quando é ou amizade ou amor? Quem disse?! Quem escreveu?!” No outro dia pela manhã ostentava um sorriso inexplicável, um sorriso de confiança, quase de uma ponta a outra do seu rosto. Fernando, um de seus melhores amigos, o mais confidente deles, que conhecia André como se fosse a gaveta bagunçada de seu quarto, quando o viu prontamente o questionou. Perguntando o motivo de tal sorriso. André nunca havia escondido nada de Fernando. Mas naquele momento preservou sua decisão apenas para si. Fernando percebeu do que se tratava, mas respeitou o amigo.
Os dias demoravam a passar, André não encontrava Júlia. Na quarta-feira daquela semana Fernando convidou André para um churrasco em sua casa, ele estava indo viajar e queria fazer algo com os amigos. Pronto! Seria no sábado. A festa começaria às nove da noite, e desde às sete André arrumava-se, ensaiava as palavras, e tudo mais, aquele sorriso, aquela confiança. Chegou à festa às oito e meia. Tomou umas cervejinhas para ganhar mais coragem. Por volta da meia noite, e de umas cinco ou seis, chamou Júlia para sentar no sofá, e ali abriu para ela a situação que ele se encontrava. Seus olhos brilhavam ao vê-la, e para a felicidade dele os dela também, e em seu rosto se desenhava, de ponta de orelha a ponta de orelha um sorriso de alegria.
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