domingo, 30 de janeiro de 2011

E agora Julião?

Ainda me lembro do carnaval passado. A cidade se preparava para ter mais um ano de “lonão” na rua. Tudo ia bem até o momento que as chuvas novamente castigaram os balneários da região. Disso todos também se lembram, casas abaixo, ruas reviradas, até pessoas ilhadas. O que nem todos se lembram, mas deveriam, é que o cancelamento do carnaval de rua serviria para a reconstrução do principal balneário de São Pedro do Sul, o Passo do Julião. Lembro ainda que numa das primeiras edições de Coluna Cotidiano a capa da Gazeta era sobre este assunto.

Passado um ano, o carnaval chegando novamente, entretanto a situação do Julião não é das melhores, enquanto os balneários do Angico e a Praia Nova superlotam, o Julião segue esquecido, trazendo fortes reflexos para todos os são-pedrenses. Quando digo todos os são-pedrenses, digo por que não é só para lazer que serve o nosso balneário. Durante anos o Julião foi ponto turístico de São Pedro, atraindo visitantes de praticamente toda a região, movimentando assim não só o balneário, mas também o comércio local. Mercados, padarias, açougues, postos de gasolina, farmácias, depósitos de bebidas até lojas de R$ 1,99 eram procurados pelos campistas e visitantes. Era dinheiro de fora que entrava em São Pedro, e logo, circulava entre os próprios são-pedrenses.

Está aí a importância que deveria ser dada ao nosso balneário. É preciso condicionar o Julião para as temporadas futuras, é preciso levar a sério o Passo do Julião. Carnaval é bom, mas dura pouco, o balneário tem visitação de quatro a cinco meses (entre novembro e março), que seja buscado e implantado dinheiro no nosso balneário, que seja incentivada a visitação, através de televisão, temos o exemplo do Balneário das Tunas em Restinga, que seguido nos convida através de uma simples propaganda na RBS. Vamos pensar senhores mandatários. Vamos fazer do nosso balneário um dos melhores da região, como aquele de anos atrás, que nos dava alegrias por conta das diversas opções, como futebol, vôlei, as churrasqueiras, a sinuca, a sombra e a água fresca. São Pedro está com saudade desse Julião. São Pedro precisa desse Julião. E o Julião precisa ser levado a sério.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Uma escolha importante.

Não existe ninguém que não tenha sonhos. Todos nós queremos, aspiramos, almejamos alguma coisa para o nosso futuro. Sonhamos. Seremos médicos, arquitetos, donos de restaurante, mecânicos, enfim, todos temos caminhos traçados. Entretanto, a pior coisa que pode acontecer é o caminho que foi pensado por nós, desde que nos perguntaram pela primeira vez “o que tu quer ser quando crescer?” não é o caminho que tu deseja seguir. Ou não parece ser o melhor caminho.

Somos muito jovens quando devemos fazer a escolha que vai definir todo o final da nossa vida. Queremos ganhar bem e fazer o que “gosta”, entre aspas mesmo, porque hoje, muitas vezes deixamos nossos sonhos de lado por questão financeira. Esse ano mais um tanto de jovens, e jovens são-pedrenses estarão ingressando na faculdade, tentando dar seguimento ao caminho que traçaram até aqui, serão jornalistas, biólogos, engenheiros, fisioterapeutas, veterinários, iniciarão dentro de alguns dias, talvez meses o passo que vai determinar todo o estilo de vida que terão daqui pra frente. Interessante pensar assim, toda sua vida em uma escolha, a profissão, desde o simples fato de fazer novas amizades, namorar uma pessoa que conhecemos por ter feito aquela escolha, se casar, ter filhos, morar em outro lugar. Uma escolha desencadeia diversos e mais diversos acontecimentos na nossa vida. Por isso essa escolha deve ser muito bem pensada, podemos escolher errado, tentar outro caminho, é difícil, mas temos que ter paciência, saber administrar nossa vida. Fazer uma escolha e ver que ela não era a correta pode ser muito difícil, mas com certeza será um grande aprendizado.

Espero que estes novos acadêmicos tenham feito suas escolhas corretas, e que tenham um caminho de muita felicidade para toda a sua vida, e se lembrem de que essa escolha foi determinante para a grande maioria dos seus passos futuros. Quem errou o caminho, não está perdido. Só esperamos que cada vez mais os jovens são-pedrenses encontrem os seus caminhos, e que estes, sejam sempre do bem e para o bem.

Parabéns aos que ontem e quinta ingressaram em faculdades, e boa sorte à todos que estão na busca de seu caminho.

Um ano.

A Coluna Cotidiano começou já na primeira edição da Gazeta de 2010, a proposta era trazer aos leitores uma nova visão sobre temas que, como no nome da coluna, tratariam do nosso cotidiano, seja no círculo municipal ou em outra esfera. Durante o ano de 2010 expomos temas como eleições, segurança, amor, entre tantos outros.

Para o ano que se inicia, esperamos estar junto com os leitores, comentando temas sugeridos, através do e-mail, do blog. Neste primeiro e curto texto de 2011, quero agradecer aos leitores desta Coluna que já tem por costume ler a coluna Cotidiano, agradecer os e-mails que recebo, respondendo à textos, perguntando, indicando, sugerindo, criticando.

Espero que 2011 nós possamos comentar nesta coluna muito mais alegrias, possamos comentar os desenvolvimentos da nossa cidade, as melhorias, as boas atitudes, comentar sobre os sentimentos que mais estampam nosso dia a dia, como amor, amizade, solidariedade.

Um bom ano para todos, de muitas alegrias, muito sucesso e muito amor.

E até a próxima semana.

Reflexão propícia.

No Natal todos nós tomamos um banho de sentimentos bons e boas ações, nos tratamos melhor, nos abraçamos mais, nos beijamos mais, somos mais carinhosos com as pessoas que amamos, convivemos. Praticamente todos nós ficamos mais gentis e educados. Há poucos dias atrás assisti a um filme que mostrava a história de uma filha que tinha problemas com o pai, mais tarde ela descobre que seu pai tem uma severa doença, após isso as suas atitudes melhoram, a forma que trata ele muda, aproximando os dois na relação familiar. Bem propício para a época em que estamos.

No filme, a perda do pai, apesar de não representada claramente, nos remete ao arrependimento de quem ficou. Explico: muitas vezes, como já falei em outro texto com outro tema, mas posso repetir, só damos valor ao que perdemos. Muitas vezes brigamos com nossos entes por motivos tolos, tratamos nossos pais, avós e filhos de forma indiferente. Fazendo dias e anos passarem sem demonstrar carinho e afeto, exceto raras ocasiões, quase sempre festivas durante o ano, como o Natal. Seria muito bom perdermos o receio, e ganharmos o costume de tratar nossos “queridos” com amor, com carinho, com belas palavras. Se ocupássemos o tempo que passamos com nossos familiares ou um simples décimo desse tempo para lhes demonstrar o quanto os amamos e o quanto eles são importantes para nós, certamente nosso dia a dia teria muito mais paz, muito mais alegria. E não nos arrependeríamos por não ter dado atenção a quem tanto merecia.

Neste Natal, quero lhes deixar a mensagem de compaixão que tento instalar no meu cotidiano. Vamos nos tratar melhor, com mais respeito, com mais gentileza, com mais carinho, bondade. Todos temos receios, mas neste texto eu quero homenagear á todos meus familiares e amigos, dizendo-lhes que eu os amo, que vocês são imensamente importantes para mim, e não é só no Natal, são todos os dias do ano. Eu queria estar sempre junto de todos vocês, conversando, rindo, compartilhando momentos agradáveis, sentimentos, emoções. Aos meus amigos leitores, gostaria de dar um abraço em cada um nesse momento, e dizer à vocês que quando terminarem de ler esse texto pensem em como vocês estão se relacionando com as pessoas que vocês mais amam e tracem uma meta de tentar melhorar estas relações, por mais que sejam boas, com certeza podem ficar ainda mais. Um feliz Natal à todos vocês.

Nada é por acaso. (EXCLUSIVO DO BLOG)

A derrota colorada no Mundial de Clubes deste ano não aconteceu apenas durante o jogo, e não teve apenas um ou dois fatores que a causaram, ela começou a ser traçada logo depois da conquista da Libertadores. Naquele momento a imprensa fez com que todos subissem no salto, lembro bem da campanha do Globo Esporte para que colocassem o Sneijder (peça chave do time da Inter) “no bolso”, nem a Internazionale estava na final, tampouco o Inter, e já queriam colocar o Sneijder no bolso. Faltou sim muita humildade para o time. Quando saiu o resultado das quartas, onde o classificado era o Mazembe aumentou o sentimento de certeza, se o Pachuca não representava grandes riscos à classificação, o Mazembe não seria nada. Não foi bem o que aconteceu.

Aliado à má formação, má escalação, enfim, ao mau treinador, sim, Celso Roth nunca foi e nunca será um bom técnico, o time africano não era pouca coisa. Se o jogo do Inter não chamou a atenção, o jogo dos africanos nos mostrava que não se pode nunca subestimar um time menor que o seu, ainda mais um time africano, que tem por costume surpreender grandes favoritos, como a nossa seleção, que se não fosse por conta do salto já poderia gozar de um ouro Olímpico.

Enquanto os jogadores do Inter não colocavam a bola no chão, os jogadores do Mazembe sempre que podiam saiam jogando através de passes rápidos, se faltava técnica ao time, e faltava, compensava na vontade e no entrosamento da equipe. Se eram ruins, como muitos afirmaram, não sei dizer, para mim não eram ruins não. Obviamente o Inter era muito melhor, tinha de ter vencido, daí se dá o tal vexame. Mas dentro de campo a verdade é que o TP Mazembe não era nada do que se falava. Fiquei surpreso quando o treinador do time africano disse em entrevista coletiva “Será que não está na hora de um time africano ser campeão do mundo?”. E agora podemos responder: está sim. Minha aposta e minha torcida são do time do Congo, está na hora, pelo menos para servir de exemplo que futebol e humildade têm muito a ver, nenhum time ganha por acaso, todos que ganham, ganham por merecimento, vontade e trabalho.

Hoje veremos a forma que a Internazionale lidará com seu favoritismo, que existe sim só no papel, dentro de campo a coisa muda e o Mazembe pode sair campeão deste torneio, aí sim o futebol “menor” através do futebol africano será tratado com o devido respeito.

Coragem, covardia e amor.

Não existe pior sentimento que a covardia. Não, covardia não é um sentimento, é uma ação, ou a falta de ação, seria então o pior sentimento o medo, que nos deixa covarde, sem a coragem necessária para tomar algumas atitudes. Como num ensaio de romance que insiste em ficar só no ensaio por conta do receio. Quem me dera não temer o não. Mas quase todos nós tememos, desde crianças, quando não pedíamos algo aos nossos pais para justamente não ouvir o não, e esse temor do “não” nos marca de tal forma que o levamos para toda a nossa vida, no trabalho, no amor, até nos favores simples do dia a dia, tememos ouvir um “não”.

Entretanto, temer o não é muito comum, temer o sim que é complicado. Quem teme o sim é a pessoa que não tem autoconfiança. Quem teme o não, teme porque não conhece, não confia na reação da outra pessoa: se o chefe vai te dar um aumento, se ele pode te dar aquela folga pra um dia especial, se a pessoa que tu ama também te ama. Quem teme o sim pensa “se a resposta for sim?” “se ela aceitar?”. E isso já basta para a trava da tranquilidade, a trava da coragem, terminar com as expectativas criadas pela própria pessoa, pelo próprio temente.

Dentro do amor a pessoa que teme o “não” não é feliz, a pessoa que teme o “sim” é menos feliz ainda. A pessoa que teme o “sim” não brinca nem se quer de “bem-me-quer, mau-me-quer”, com medo que de o bem. Caso brinque, e caso dê o bem-me-quer, guarda para si a resposta do jogo, porque ela também tem medo do não, óbvio: se o sim me mete medo, a não sabedoria sobre a existência dele me dá mais medo ainda! Bom mesmo é não ter medo, ou, melhor ainda, as pessoas que não temem e ainda se entusiasmam com a dúvida, e mais ainda para saná-la. Desculpem-me os que esperam mais de mim, mas a inspiração da semana veio através dela, e quem é ela?

Ela é quem “passa e confessa no olhar a nossa conspiração de felicidade. Ela sabe como eu sei que esses instantes vazios da vida estariam sempre repletos de ventura, mesmo que os que se constituíssem apenas em silêncio, se tivéssemos coragem”. “Sabe secretamente o que eu sei também em segredo: nós fomos feitos um para o outro...”.

Desculpem novamente o tema fraco e pouco abrangente do amor, mas que ele instiga e inspira não se pode duvidar. Mais uma vez trechos do Paulo Sant’ana, ali em cima, entre as aspas.

Existem personagens na vida real.

É incrível a capacidade do ser humano de criar, inventar, renovar. Basta olhar a própria linha do tempo da civilização que notamos inúmeras novas coisas a cada tempo que se passa. Tudo se renova, desde roupas, estilos, gostos, até os nossos próprios valores. Aprendemos a cada dia algo mais, sempre na tentativa de evoluir. A nossa moral está em constante evolução. Exemplo disso é a liberdade em tudo que se faz hoje em dia, a própria novela nos ajuda a perceber, antes o que era descriminado hoje nós assistimos como algo totalmente normal, comum, e passamos a aceitar, relevar algumas coisas.

Entretanto, o ponto em questão é: nós mudamos e os meios retratam, ou primeiro convivemos com o fictício para depois mudarmos nosso conceito, ou ainda assistimos coisas que não aprovamos e para não parecermos retrógrados, preconceituosos, fingimos concordar com tais situações? Acredito que existam pessoas dos três tipos, existem aquelas que passaram por algo na sua vida, que de certa forma as fez evoluir e compreender situações que a maioria de nós não teria sensibilidade de compreender – lembram-se daquela novela que a cada dia uma pessoa diferente dava um testemunho sobre a sua vida pessoas em relação ao que se passava na ficção? – existem as pessoas que após assistir alguma novela, documentário sobre alguma realidade entende que nem tudo é como pensamos, e que nossa opinião, às vezes preconceituosa (opinião/conceito antes de conhecimento), pode estar errada.

Ainda existem os que para não serem maus vistos, acabam por encobrir seus reais pensamentos, tornando-se uma capa falsa. E quando me refiro à capa falsa, com certeza não é apenas sobre as opiniões sobre as novelas, e sim sobre tudo. Existem pessoas que pregam como pastores, e pecam como ateus (perdoem-me o cunho extremamente religioso desta frase, mas é bem o que isso quer dizer). Existem funcionários que na frente do chefe representam uma imagem, na frente dos colegas, dos demais, outra. Existem patrões que parecem camaradas, mas não são. Existem professores não éticos, que não educam, que nem se quer são educados (essa educação não é a que vem de casa, não é o respeito, os bons modos, e sim as boas atitudes, as boas atitudes em sistemas coletivos, em sociedades).

Enfim, estes últimos indivíduos foram os que escolheram o pior dos caminhos, podem ter algum sucesso na sua vida, mas certamente em algum momento, essa capa de bondade, de ética, de moral, se vai com o vento da verdade, deixando à mostra a real face, decepcionando muitas vezes quem acreditou, quem não percebeu por conta, ou por “bom trabalho” do próprio indivíduo, sua real condição. Para a nossa felicidade, uma coisa sabemos: enquanto existirem estas pessoas, dentro de qualquer empresa, entidade, existirão pessoas de bem, tentando dar fim à essa capa, tal qual numa novela, com seus mocinhos e vilões.