Somos humanos e é do nosso ser errar. Uma das formas mais grosseiras de erro é a não valorização, a não valorização das coisas e principalmente das pessoas. É costume dar valor ao que nos falta, e só damos valor ao que temos quando perdemos. Liberdade, dinheiro, amigos, são tantos os exemplos do que sentimos falta quando perdemos, porém o exemplo mais comum é o amor. Esse sim é um grande causador de não valorização.
Isso se comprova com uma antiga frase, que não tem uma forma única de ser escrita, mas o seu sentido não é afetado por qualquer alteração verbal: “Teimamos em gostar de quem não nos gosta, tanto quanto gostamos de desprezar (não valorizar) quem nos ama.” É claro que não é uma regra, mas, sem dúvida quase todos nós já cometemos esse erro. Todos nós alguma vez já nos visualizamos dentro do conhecido poema da Lili, aquela coitada que amava o Raimundo que amava a Maria que amava o Pedro que amava Fernanda que não amava ninguém. Esse poema pode ser considerado o poema do amor verdadeiro, nada de conto de fada. Como já disse antes, o amor não é primavera, é outono. Não são flores, ou não são só flores. Esse poema nunca perde a validade. Sempre existirão as vítimas do amor, ou do desamor. As vítimas da não valorização. O Raimundo só vai dar bola pra Lili quando ela já estiver com a cabeça no J. Pinto Fernandes, aquele que ainda não estava na história. E nessa altura a Maria que já havia se dado conta que o Raimundo era importante pra ela, acaba por dar valor tarde demais para o pobre. E assim é, e sempre será. Eu que já cometi este erro - já amei sem ser amado e já fui amado sem amar - não conseguia entender como nós conseguimos sofrer tanto a mando do coração. Parece que gostamos desse sofrimento, gostamos de não valorizar quem nos ama.
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