quinta-feira, 6 de maio de 2010

As últimas gotas d’água.

Os telejornais nacionais estão trazendo para todo o país a tragédia carioca, a tragédia das chuvas, dos deslizamentos. Todos os dias mais vítimas são encontradas sob a terra. Muitos de nós, moradores de outros estados (que não conhecem a realidade carioca), e até alguns próprios cariocas sem visão se perguntam o porquê de tantas pessoas morarem em lugares como o Morro dos Prazeres, ou outros lugares que são avaliados como locais de risco. Só que quem se informa sabe que este tipo de moradia não é uma opção e sim uma condição, imposta pela falta de dinheiro, falta de emprego, etc. Ninguém mora no morro por que acha a vista bonita. “Eles são miseráveis, pobres miseráveis” - disse Arnaldo Jabor - e “miseráveis” não é xingamento, vem de miséria mesmo. A culpa deste desastre é governamental. Exclusivamente.

Em setembro do ano passado o governo brasileiro decidiu comprar de 36 aviões “caças” franceses, lembram o valor? Quatro bilhões (BILHÕES!) de reais. E os aviões não foram a única compra, entre helicópteros e submarinos mais quinze bilhões foram disponibilizados para o chamado reaparelhamento bélico brasileiro. Grande investimento. Gostaria de saber a percentagem em relação aos investimentos em educação, em saneamento e em habitação. AH! Habitação! Interessante: não sou nenhum engenheiro, mas acredito que não precisamos ser nenhum gênio da construção civil para saber que estes 19 bilhões seriam mais que suficientes para criar áreas habitacionais para retirar os moradores dos morros cariocas, e não só os cariocas. Puxa vida: 19 BILHÕES! Mas fiquemos felizes pela nossa Força Aérea, que possui agora mais 36 jatos novos, que podem ser pilotados por 36 oficiais, que realmente ganham muito pouco para pilotar jatos “velhos”, ainda mais em um tempo de guerra como o atual. É realmente indiscutível a necessidade brasileira de tecnologia militar. Além disso, o governo já investe bastante nesses moradores, lhes dando ajudas mensais, para que possam alimentar suas famílias decentemente e que ainda consigam economizar alguns trocados para pagarem os impostos dos seus barracos. Grande investimento.

Esta tragédia é última gota d’água (ou as últimas gotas!). É o sinal para que os governantes tomem as devidas providências, retirando e auxiliando os moradores destes morros. São inaceitáveis: a tragédia, a situação e pior ainda, o comentário do nosso Presidente, dizendo que o que o mais importante agora é rezar para Deus parar de mandar chuva. Perto desta frase, não me considero nenhum pouco cínico em repetir: - Grandes investimentos, senhor Luis Inácio.

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