quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Sem concentração, sem assunto.

Olhava ao redor, as pessoas caminhando, conversando pelo bar da faculdade. As gurias do direito comprando seus cafés-pretos com seus saltos vermelhos para combinar com a bolsa do curso me tiravam a atenção, confesso. A conversa alta sobre futebol na mesa do lado dos estudantes da administração incomodava. Nada parecia me ajudar a escrever, nem a pensar sobre o que. Comecei mais ou menos uns dez textos, de variados temas: política - pensei: “De novo! Só não quero que o asfalto da XV de Novembro seja colocado na época das festas de final de ano, como a bagunça do ano passado, parecendo incomodar de propósito.”; amor, amizade: “Putz, amizade é um amor que nunca morre. O que falar mais?”. Nada me dava vontade de escrever, nada me inspirava, nem o Chopp gelado que tomei uma hora antes me fez ficar mais criativo.

Seguia assim, a novela fazendo aquele barulho na tv do bar, mais gente, mais futebol. Pedi um café. Por vezes notei que alguns vizinhos lançavam olhares pra o meu lado certamente pensando “o que tem esse cara, com essa cara de apavorado, que tanto digita nesse computador?”. Mais uma turma desceu, tomei um gole de café. Pensei em esporte, já tinha me jurado que não escreveria sobre esse assunto, mas como seria bom dizer que o Grêmio está próximo da Libertadores. Mais pessoas - meu Deus! Que barulho! - briga feia com os carros do final de semana que mais parecem uma boate móvel pelo centro da cidade.

Um cara torceu o pé descendo o degrau do bar, acompanhado de duas gurias muito bonitas com suas roupas (calças pra ser mais sincero) brancas que fazem qualquer homem casado desejar estar de óculos escuros, e não eram só as duas, quantas gurias bonitas, pensei - beleza seria um bom tema! - muito subjetivo, eu teria de descrever o quanto aquela morena de lábios carnudos do direito me chamava a atenção, enquanto aos demais poderiam estar vidrados na loira baixinha, ou na guria de cabelos castanhos com um sorriso que deixava os seus colegas de boca aberta sem eles nem se quer perceberem. Terminei meu café, olhei no relógio, estava na hora do intervalo, mais pessoas desceriam pra o bar, meu amigos da faculdade também.

Dez textos, pra mais, comecei. Dez textos e nada. Restou-me, mesmo, ir pra casa, já que no outro dia teria de acordar cedo, acho que o bar já estava com mais de 50 pessoas, e definitivamente nada mais poderia me deixar concentrado, pelo menos não para escrever. Juntei-me aos amigos que havia ido visitar, conversamos sobre o futebol, sobre as calças brancas, sobre os sorrisos, os lábios carnudos, demos risada e quando a aula recomeçou fui embora, indignado com a minha falta de concentração, que pode ter sido a causa da minha falta de assunto nessa semana.

Melhor do que está fica.

Tiririca foi eleito deputado estadual por São Paulo com o cacife de mais votado do Brasil, cerca de um milhão e trezentos mil votos. Por suas frases de deboche com a atual situação, como “Pior que tá não fica!” e “Tá cansado de quem trambica? Vote no Tiririca!”, ele ganhou, como forma de protesto, inúmeros votos. Entretanto após a eleição o candidato foi denunciado por fraudar seu teste de escrita e leitura, capacidade mínima para qualquer candidato. A vergonha, neste caso, não é a dele ser ou não alfabetizado, mas sim a de a alfabetização ser o mínimo para qualquer cargo público-político no Brasil.

Como costumamos ouvir, “qualquer balconista tem de no mínimo ter concluído o ensino médio”, entretanto, diversos cargos, como o do Tiririca, ficam ocupados por pessoas que nem sequer frequentaram a escola básica. Um Presidente que mal fala o português, deputados semianalfabetos e outros tantos exemplos. No nosso país deveria ser obrigatório que qualquer político, da esfera legislativa tenha no mínimo o ensino médio, concordando eu com o que um amigo me disse em uma conversa sobre o assunto esses dias: “Por mais que um vereador não apresente nenhum projeto, tem que ter capacidade para interpretar os projetos de seus colegas, analisar, realmente compreender, para poder decidir da melhor maneira sua posição.”.

Realmente, para ser Presidente da República deveria ao menos ter o ensino superior completo, um nível de escolaridade respeitável para quem ocupa o maior cargo público do país. E essa obrigação escolar deveria vir desde os cargos mais baixos da pirâmide política, Vereadores e Prefeitos e Deputados Estaduais com ensino médio, Deputados Federais, Governadores, Senadores e o Presidente com diploma, é o mínimo para quem espera ser um país desenvolvido, capacidade intelectual de governantes.

“Política não é profissão!”. Infelizmente não é o que temos no nosso país, no nosso estado, no nosso município. A política, o cargo político, deveria ser uma honra para quem o exerce, e não simplesmente uma forma de ganhar dinheiro fácil, como vários políticos veem. Por conta disso, tenho que discordar do Palhaço, pior do que está fica sim! Políticos que não sabem nada do que se passa: Deputados que desconhecem as leis que aprovam; Senadores que não estão “nem aí”; Executivos que roubam descaradamente, e não veem nada. Só querem dinheiro, não defendem a necessidade do povo, não nos representam, apenas nos usam para manterem seus altos salários. No final das contas, não é o Tiririca quem é o palhaço.

E nem aí pro Enem.

É lamentável a situação que se encontra aquela que deveria ser a principal prova avaliativa do Ensino Médio no Brasil. Por dois anos seguidos o Enem se mostra frágil, fraco, vergonhoso. Após o roubo da prova do ano passado o Enem 2010 prometia (e deveria) ser perfeito. Entretanto, parecendo um deboche, a prova novamente causa polêmica, a começar pelo bobo erro da troca no enunciado do cartão resposta, o que prejudicou muita gente, por incrível que pareça, depois veio a descoberta dos erros na prova amarela do primeiro dia, este erro foi sim o fator mais importante para o cancelamento da prova por uma Juíza do Ceará.

Desde o início a ideia de transformar o Enem em uma prova de seleção para todas as Universidades Federais não me agradava, acho muito difícil em um país como o nosso (grande e de organização não digna de aplausos) uma única prova ser aplicada para estudantes de níveis de conhecimento, por conta do próprio ensino, tão diferentes. Os vestibulares, além de serem a forma autônoma das universidades adquirirem verbas também fazem com que os jovens mais próximos desses centros de ensino possam ter melhor desempenho em relação aos de lugares mais distantes, por conta de peculiaridades na elaboração da prova, como inclusive a própria linguagem, uso de termos típicos de uma região que são desconhecidos pelas demais regiões, não fazendo com que o país torne-se um embaralhado de estudantes, posso citar o exemplo de um amigo que havia passado para medicina em Roraima, e que não foi cursar, optou por tentar mais um ano o vestibular da UFSM.

Agora, após estes intensos vexames do Enem, fica mais clara ainda a evidência de que o melhor para as universidades e para os alunos é a manutenção do vestibular. O Enem, que é muito importante, por conta do PRO-UNI, do auxílio que dá à alguns estudantes para finalizarem a sua formação no próprio Ensino Médio, mostram a necessidade de manter o exame, mas também de sua reformulação, o Enem, como está não serve de indicador de nada, é uma prova extensa, cansativa e principalmente “bagunçada”, de fraca elaboração e organização. O Enem precisa ser levado a sério pelas as autoridades da área da educação, e pelas autoridades governamentais. Acredito, realmente, que só quem não completou sequer a quinta séria do Ensino Fundamental é capaz de avaliar o Enem como “sucesso absoluto!”, ou se comprova que realmente existem pessoas que não veem e não sabem de nada e não está “nem aí” pro Enem.

O sábio das palavras.

Paulo Sant’ana pra mim é um ser admirável, com certeza não pelo seu hábito de fumar ou pelo fanatismo extremo ao Grêmio, embora eu o admire por isso não quer dizer que ele é admirável por este fato, mas é um ser admirável pela forma a qual se expressa, em seus textos, suas crônicas, suas estórias. Com tons cômicos e trágicos ele representa as coisas do cotidiano, do amor, do casamento, da convivência, da existência, enfim, para mim, Paulo Sant’ana é sinônimo de boa e agradável leitura. Fica fácil perceber: Sou um grande fã do Paulo Sant’ana.

Em vários momentos da minha (curta) vida fui encontrando nas palavras do Paulo um sentido para o que se passava comigo. Quando comecei a escrever a coluna “Cotidiano”, tentei, por vezes, inspirar-me no ídolo, o resultado não foi o esperado, entretanto, consegui fazer com que minha cabeça criasse uma forma minha de escrever, inspirada, mas não assemelhada à do Paulo. Alguns textos meus mostram essa inspiração, normalmente quando falo de sentimentos, como amor e amizade. Nada comparado aos textos dele, os quais eu julgo geniais. Frases fascinantes, pensamentos mirabolantes.

O trabalho de Paulo Sant’ana quando atinge a sua máxima qualidade é definido por ele da seguinte maneira: “O melhor de mim é quando consigo interpretar, com rigorosa exatidão, o desespero do ciúme, a vergonha da inveja, a lancinante dor da traição e da perda e a transbordante e inefável sensação do amor.” Paulo Sant’ana é o velho sábio das palavras, de nenhuma forma perfeito, indecente, cafajeste, boêmio, infiel, apaixonado por tabaco, mas é a pessoa que melhor consegue decifrar o sentimento humano, tanto feminino como o masculino, por conhecer e muitas vezes viver os fatos cotidianos, tanto os bons quanto os maus sentimentos que nos habitam.

Quem dera um dia eu poder escrever com tanta sabedoria, quem me dera poder deixar uma frase a ser lembrada ou admirada, como este fragmento do texto “A competência do coração”, obviamente do Paulo Sant’ana, o qual admiro e não me esqueço.

“Sem cérebro, eu enlouqueço de tanto amar, porque só o cérebro pode travar a corrida alucinada do coração para o amor. Daí que quem pensa não ama, e quem ama não pensa. Se o destino tiver de escolher entre me avariar o cérebro e o coração, que me preserve o coração e dane-se meu cérebro. Mil vezes ser um encefalopata do que um cardiopata. Prefiro vegetar como um idiota, mas tonto de amor.”

As cores do nosso Brasil.

Verde, amarelo, branco e azul anil. Estas são as cores do Brasil. Soa poético, o significado das cores mais ainda: verde das matas, amarelo do ouro, branco da paz eterna e o azul do nosso céu. Entretanto temos, após anos e anos, certo erro nestas significações. Ouro, matas e paz já não são tão representativos como antigamente. Acredito que uma releitura destas cores e de seus significados seria muito importante.

O verde que queremos, não é o verde dos dólares na cueca, é o verde da esperança, esperança de que o país melhore, melhore no sentido de nos dar orgulho não só pelo futebol, mas também pela política, que tenhamos orgulho em ter um presidente e não vergonha. Admiramo-nos ao ver o presidente chileno à espera dos mineiros, cantando o Hino do Chile, uma demonstração de patriotismo, coisa que há tempos não vemos no nosso “faixa”, o último ainda só demonstra desrespeito para com o povo, com atitudes e palavras.

O nosso amarelo deveria ser o sol de cada dia, que demonstrasse o trabalho do nosso povo, lembrando aquela velha frase “de sol a sol”. Porém, se continuarmos assim, apenas metade da população seguirá trabalhando, o restante ficará esperando sua gorjeta mensal, que mal mata sua fome, mas infelizmente, essa metade, ou maioria desta metade, se contenta com isso, não tem real vontade de crescer, trabalhar, conquistar as coisas com seu próprio suor, estilo “jeitinho brasileiro”, que também envergonha.

Nosso azul, do céu, bom, ainda temos o céu. Mas o azul representa também o estudo, o intelecto, que queremos ver em nosso povo, através da boa educação, de boas escolas. Também pode representar tranquilidade, segurança. Mas principalmente deveria nos representar a sabedoria e a verdade que queremos em nossos governantes.

A cor branca, da paz, pode ser agora a cor que queremos para a ficha de nossos representantes, dos nossos políticos, chega de “paus-de-galinheiro” em todos os poderes do nosso Estado. Que o branco seja quase um transparente no trabalho de cada político, e não só na bebida de cheiro forte do Presidente.

Domingo estaremos decidindo a valor destas cores para os próximos quatro anos. Pensemos bem o destino que daremos ao nosso país, teremos boa memória, malas, cuecas, meias, mensalão, Casa (onde já) Civil. Queremos isso pra o Brasil? Não, o vermelho não pode estar na nossa bandeira.

Quem diz é Ciro Gomes, Coordenador da Campanha da Dilma Rouseff.

No início desta semana recebi um e-mail intitulado “Se é ele que diz...”, interessado pelo título e mais ainda pelo conteúdo, pois recebi de um contato que sempre envia bons e-mails, o abri no instante em que pus os olhos. No corpo do e-mail apenas uma frase: “Quem diz é Ciro Gomes, Coordenador de Campanha da Dilma”, e em anexo seguia um vídeo. Que começava com a seguinte frase: “Ciro Gomes, o cabra macho!”.

Todo o vídeo se baseava em entrevistas do Ex-Deputado Ciro, condenando vários fatores pró-PT. Perguntado sobre o que ele pensava sobre o PMBD (em esfera nacional), Ciro diz que “Hoje quem manda no PMBD não tem o menor escrúpulo, nem ético, nem de compromisso público, nem de nada... É um ajuntamento de assaltantes”, sobre Michel Temer, Presidente do PMDB e candidato à vice-presidente junto com o PT: “Ele é o chefe dessa turma... vamos ter clareza, a aliança do PT com o PMBD é para traficar minutos televisivos, asfixiar o debate, não é para governar!”.

As críticas de Ciro Gomes não ficam só direcionadas ao PMDB, as divulgações das pesquisas de voto, que durante o período anterior primeiro turno, que davam vitória à Dilma já no dia três também foram alvo de Ciro: “O IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), o Montenegro (Carlos Augusto Montenegro, presidente e dono da empresa) vende até a mãe para ganhar dinheiro, isso aí eu conheço de longuíssima data... Vende e vende mesmo!”.

Sobre o PT, ele fala que Lula era contra a Constituição de 1988, assim como contra o Plano Real, que tirou o país do inferno inflacionário, criado por Fernando Henrique Cardoso, que sofreu com uma “campanha Golpista: Fora FHC”, criada pelo Partido dos Trabalhadores.

A última entrevista de Ciro vem com a frase “para fechar, o melhor candidato é...”, e ele fala: “Se perguntado, temos que falar a verdade. Todos sabem que sou adversário do Serra desde sempre. Agora, o Serra é mais preparado do que a Dilma, porque já foi Governador, já foi Prefeito, já disputou eleição, já ganhou, já perdeu e ela nunca disputou nenhuma eleição”. O vídeo ainda termina com os dizeres: “Ciro também sabe a verdade: quem conhece o PT, não vota no PT!”

O vídeo tem sua veracidade comprovada, tanto que seu conteúdo foi usado na formulação das perguntas feitas à candidata Dilma em entrevista ao Jornal Nacional esta semana. O vídeo pode ser visto no Youtube, através do título: “Ciro Gomes, o cabra macho”. Como sempre, meu intuito na Coluna Cotidiano é fazer o leitor pensar. Como diz o título, não sou eu quem diz. Quem diz é Ciro Gomes, Coordenador da Campanha da Dilma.

Errata: o candidato à vice de José Serrá, Índio da Costa é do Partido Democratas e não do PP como eu havia falado na coluna da semana retrasada.

Entre vermelhos e azuis o verde se destaca.

Domingo passado os brasileiros foram às urnas para praticamente comprovar os resultados que as pesquisas apontavam até então. Dilma venceria no segundo turno e os tucanos padeceriam mais um ano frente ao Partido dos Trabalhadores. Marina só comprovaria a decepção do povo com os outros dois candidatos, e só não foi melhor por que existem mais pessoas “anti-PT” do que a favor do Serra. Inúmeros votos do tucano foram devido ao pavor de mais quatro anos com o PT no comando, o medo de mais escândalos, mais corrupção, mais desvios de verba, mais, mais e mais. Talvez, se a população realmente acreditasse na “onda verde” de Marina, a candidata do PV teria tomado o lugar do Serra no segundo turno.

Agora no segundo turno, aquela que saiu derrotada pode ser o ponto principal para a decisão dos próximos quatro anos. O apoio de Marina será muito, mas muito disputado entre os presidenciáveis restantes. Não é pra menos, cerca de vinte milhões de votos. O engraçado agora é as posições dos finalistas, para Serra, Marina representa a esperança da virada, para Dilma, o sentimento se divide entre a confirmação do terceiro mandato “Lulista” e o medo da virada tucana. Com quem Marina vai? Com quem?

Entre todos os fatos, um deles faz a dúvida da população ser ainda maior: nenhum dos candidatos trocará de vice, que são de partidos diferentes de PT e PSDB, PMDB e PP, respectivamente. Marina terá de dar seu apoio ao candidato que o seu partido julgar melhor. Minha aposta vai para Serra. Vários nomes fortes do PV já revelaram a preferência pelo tucano. O apoio à Dilma também seria difícil, tendo em vista que Marina é uma ex-integrante do PT, ex-Ministra de Lula, que saiu brigada com o partido. O apoio de Marina ao partido vermelho seria uma desilusão para quem votou 43, Marina apoiar quem mais criticou durante sua campanha, não que ela não tenha criticado Serra, o seu governo em São Paulo e o governo tucano de FHC, seria uma contradição imensa.

Dia dezessete, em uma convenção do partido, Marina decidirá seu apoio. Repito, o Partido Verde vestirá azul no segundo turno. E dia trinta e um possivelmente teremos o governo do estado em oposição ao governo federal. O verde será decisivo nestas eleições, e nos próximos dias será mais visado que o vermelho e o azul. Queria saber o que se passa na cabeça de Lula neste momento, vendo a força da sua ex-Ministra decidindo a eleição, e provavelmente em favor dos seus adversários. É o verde da esperança, do medo e do arrependimento, é o verde forte de Marina Silva.